Idarci Esteves
A perda gradual da importância dos livros escritos no papel é um fenômeno que reflete as profundas mudanças tecnológicas e culturais pelas quais a sociedade vem passando nas últimas décadas. Se outrora era essencial para o registro de informações, agora é substituído por práticas digitais.
Ferramentas como editores de texto, aplicativos de notas e plataformas de comunicação instantânea são os meios de escrita e registro, que fazem o papel parecer obsoleto.
Nesse contexto, como ficam os livros impressos em papel de minhas duas estantes?
São frutos de leituras e estudos feitos durante minha vida ativa como professora e escritora de livros didáticos. Já doei perto de mil volumes para bibliotecas públicas de cidades do interior. Outras dezenas de obras foram rejeitadas _ por razões diversas_ e doadas para picotagem e reutilização, o que considerei uma contribuição para a economia de energia e água e geração de trabalho para catadores e outros profissionais.
Os livros restantes, ainda na faixa de centenas, constituem o meu desfrute atual. Há dezenas de livros autografados, com delicadas dedicatórias, familiares demais; outros, de edições primorosas, constituem verdadeiro luxo; em outros ainda, estão minhas anotações, frutos de muitas reflexões enquanto os lia.
Há um exemplar, restaurado a meu pedido, que é o brilho dos meus olhos: Curso Methodico de Geographia, de Luís Leopoldo Fernandes Pinheiro, cuja última edição data de 1899. É um tesouro, não só pela idade, mas também por conter as anotações sentimentais da aluna que o utilizava para estudo na escola, em 1918.
Resumindo, o desafio é encontrar um equilíbrio na transição do papel para a era digital, preservando o valor sentimental e histórico dos livros físicos, enquanto abraçamos as conveniências do mundo digital.