Idarci Esteves
A família nos tempos atuais, concretiza-se pela diversidade de arranjos internos na forma de se viver situações básicas da vida.
Os netos “de sangue” são lembrados, infinitas vezes, na prosa do dia-a-dia, em obras literárias e compondo parte da história da humanidade. Mas, e os netos “de coração”?
No meu contexto, sou uma avó orgulhosa e maravilhada de meus cinco netos “de coração”. É uma glória! Eles compartilham comigo os seus estoques de afeto, respeito, afinidade e outros predicativos que só me engrandecem.
E eu? Eu procuro estar à altura desse bem-querer, pois, sou favorecida nessa relação que me permite resgatar sentimentos de avó, que pareciam extintos.
Concordo com Rachel de Queiroz quando escreveu: “Netos, você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu, é um ato de Deus.”
Os cinco netos pertencem a duas famílias que não se conheciam. Um dia encontraram-se, e como escreveu Guimarães Rosa, “o correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta (...)”, formou-se e cresceu essa amizade linda e confiante entre eles, sem medir as alegrias.
Meu orgulho é ou não justificado?