Idarci Esteves
Um ex-aluno em tempos passados, referindo-se a mim, dizia que eu amava colocá-los “à prova d’água”. Do mesmo modo, meu professor Marcelo fez conosco. Foi ideia dele a pergunta que dá título a esta crônica, o que cuidar depois de finalizar seu texto?
— Como assim depois de finalizar o texto? Texto finalizado é texto... finalizado, não é? Pois, depois de muito pensar, eu mesma posso responder. O professor tem razão: aliás, ele sempre tem razão. Há coisas necessárias para fazer.
Primeiro, é preciso dar um distanciamento ao texto, fazer uma pausa, deixá-lo guardado por um tempo, longo ou curto, conforme a necessidade, para identificar erros que passaram despercebidos.
Na leitura do texto após o “descanso”, será mais fácil verificar a coerência, se as ideias fluíram com clareza,se as frases não estão muito longas ou truncadas, se não há repetição de palavras, erros de digitação e acentuação. Este último item, então, é danado para nos dar tombos, sobretudo a tal de crase.
— Mas, gente! Para que inventar um acento tão grave assim? Será que é para enfeitar a frase? Sinceramente, aqui para nós, eu leio e não consigo encontrar a utilidade dele. E as palavras compostas separadas com ou sem hífen? É um Deus nos acuda!
Depois, vem a consciência que eu tenho de outra grande fragilidade. Digo sinceramente o que é aterrorizante para mim: a pontuação. Só não tenho dúvidas quanto ao ponto final dos parágrafos. O resto deixa-me em transe.Coloco a vírgula por intuição e ritmo da leitura, o ponto - e - vírgula pelo que me lembro de ter aprendido a “priscas eras”. Nestas horas os revisores gramaticais são lembrados com frequência. Na dúvida, a atitude certa é pedir uma ajuda para eles.
Outro conselho dado pelo professor Marcelo é ler em voz alta para detectar quebra no ritmo e na pontuação. Acho isso genial, pura verdade. A gente até se surpreende pelo que é capaz de perceber com tal leitura.
Com esse último cuidado o texto finalmente está pronto o suficiente para ganhar o mundo.