Idarci Esteves
Entro no Instagram e deparo-me com uma mensagem de venda de camisetas com dizeres mais ou menos assim: “Ano passado eu morri. Este ano não morrerei”.
Essa frase foi o estopim para eu associá-la à quarentena enfrentada por nós, anos atrás, obrigando-nos a vivenciar uma nova realidade. Naquela ocasião, nunca imaginaríamos ter que nos submeter ao uso de máscaras e ao distanciamento social. Tampouco, poderíamos prever hospitais lotados, lutos dolorosos, politização em torno dos medicamentos e vacinas, a corrupção e a alarmante negação da Ciência.
Tento encontrar o tom exato para dar conta do conteúdo sensível desta crônica. O Coronavírus, antes um nome distante, foi pronunciado por tanta gente e tal frequência, que acabou se tornando nosso vizinho de porta. Repleto de significado e poder, foi capaz de preencher outras palavras com significados diversos, para que pudéssemos nominar os sentimentos, lutos e expectativas vividos, alterando rotinas e mexendo com nossa sensibilidade. As mudanças nos hábitos de vida teriam que ser nossas. Eles viviam suas metamorfoses sem se importar conosco, tornando confusas e informes nossas histórias de vida cotidiana.
Muito se falou sobre os vírus, habitantes da Terra há bilhões de anos, desde que ela, recém-criada, iniciava a vida que a faria pulsar intensamente. Pensar nisso é deslumbrante e assustador ao mesmo tempo. Antes que se lhes dessem nomes, ao longo dos séculos, já estavam presentes na convivência com os humanos e animais, traçando destinos de vida e morte, como nas guerras.
Ciosos de invasões alienígenas em seus espaços, manifestavam o poder, atacando o homem em seus deslocamentos pela Terra. A possibilidade das mutações, facilitava a celeridade de sua propagação, em uma competição desequilibrada, na qual, os seres vivos ficavam com a pior parte.
Silenciosos ou devastadores, os vírus lembram aos homens e mulheres, a fragilidade humana perante a natureza microscópica. São parte da história, testemunhas e protagonistas da luta pela sobrevivência.
Mas, sejamos otimistas. O progresso da Ciência nos brindará com vacinas, medicamentos, conhecimento e sabedoria necessários para redefinir a forma de nos relacionarmos com esses seres tão poderosos, capazes de alterarem a história das nações.